A torra do dia anterior já não é a mesma de hoje. A oxidação do grão começa no segundo em que sai do tambor — em duas semanas, o que era brilhante vira plano. Em quatro, vira lembrança.
Por isso a gente abre a loja com o que saiu do forno na manhã, fecha quando acaba e nunca empurra o que sobrou pra próxima semana. Sem fila digital, sem cardápio de 18 itens, sem leite vegetal de baunilha.
Casal de barista atendendo no balcão de uma loja com quatro mesas. Cada saca tem nome do produtor, nome da fazenda, data de torra. A pessoa que torrou está provavelmente do outro lado do balcão te servindo.
O café especial não é sobre cupping de 90 pontos. É sobre saber a história do grão que está na xícara.
— Laura, sócia-torrefadora